14 de mar de 2018

Caso Emanuelly: pais torturaram menina por quase 1 mês até ela morrer, diz delegado

Suspeita é que Emanuelly foi morta pelos pais em Itapetininga (Foto: Reprodução/TV TEM)A menina Emanuelly Agatha da Silva, de 5 anos, foi agredida várias vezes pelos pais durante quase um mês, até morrer no dia 2, segundo o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML). A informação foi divulgada pelo delegado que investiga o caso, Eduardo de Souza Fernandes. O G1 não teve acesso ao documento.

O documento aponta que Emanuelly morreu em decorrência de um traumatismo craniano e hemorragia cerebral.
“O laudo constatou que ela apresentava lesões de até 20 dias atrás, o que entendemos como uma tortura", afirma o delegado.
Os pais, Phelipe Douglas Alves, de 25 anos, e Débora Rolim da Silva, de 24 anos, tiveram a prisão decretada um dia após o crime e permanecem na penitenciária de Tremembé, em celas isoladas.

Na segunda-feira (12), a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o casal por maus-tratos (veja mais abaixo). Agora, o Ministério Público tem cinco dias para analisá-lo e decidir se os denuncia - e por quais crimes.

Débora e Phelipe estão presos em Tremembé (Foto: Reprodução/Facebook) Débora e Phelipe estão presos em Tremembé (Foto: Reprodução/Facebook)
Débora e Phelipe estão presos em Tremembé (Foto: Reprodução/Facebook)
O delegado afirma que as provas contra o casal são de maus-tratos, apesar de o laudo apontar que o ferimento na cabeça da menina provocou a hemorragia que levou à sua morte. Souza também incluiu no inquérito que há indícios de homicídio qualificado e tortura, mas não indiciou o casal pelos crimes.


"É difícil dizer que o crime foi premeditado, pois os dois se negaram a falar sobre o caso. Eles disseram que não vão falar nada, só falam em juízo. A parte da polícia foi feita. Montamos o laudo, comprovando lesões, as causas da morte, o laudo pericial do local dos fatos, onde constatamos locais com sangue da criança, e enviamos tudo para o Poder Judiciário. As provas que tenho no inquérito são de maus-tratos", afirma.

O casal tem outros dois filhos: uma menina, de nove anos - fruto de um relacionamento anterior da mãe -, e um menino de quatro anos. A mais velha está com o pai e o caçula foi encaminhado para um abrigo após as prisões.

Pais de Emanuelly agrediram menina várias vezes por quase um mês, diz delegado
Cabelos arrancados
Em entrevista à TV TEM nesta terça-feira (13), o delegado Eduardo de Souza detalhou como teria sido a agressão que matou a menina, com base no depoimento do irmão.

No dia do crime, afirma o delegado, Emanuelly estava dormindo quando os pais foram ao quarto dizendo que dariam banho nela. Um deles pegou a menina e a arremessou contra a parede, provocando um grave ferimento na cabeça.

"A informação passada por um dos filhos é que os dois foram ao quarto, enquanto a menina estava dormindo, e a agrediram. É um crime cujo passo a passo é difícil de ser comprovado, mas o depoimento do filho foi contundente. Eles [os pais] acordaram-na para tomar banho e, então, praticaram o ato que levou à morte", afirma Souza.


Crime ocorreu na casa onde o casal e os filhos moravam, no Centro de Itapetininga (Foto: Reprodução/TV TEM) Crime ocorreu na casa onde o casal e os filhos moravam, no Centro de Itapetininga (Foto: Reprodução/TV TEM)
Crime ocorreu na casa onde o casal e os filhos moravam, no Centro de Itapetininga (Foto: Reprodução/TV TEM)
O casal ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) dizendo que Emanuelly estava com convulsões por ter caído da cama, mas os médicos constaram múltiplas lesões na menina.

"O ferimento era incompatível com a queda. Ela tinha uma lesão grave na cabeça, nos braços, nas pernas e no peito e até mesmo teve partes do cabelo arrancadas. Ela tinha múltiplas lesões, mas o que provocou a morte foi o grave ferimento na cabeça", afirma.

O delegado disse que, mesmo sabendo da gravidade dos ferimentos da filha, os pais se mantiveram frios.

"Isso comprova que eles negavam a menina, como aconteceu desde o início. Na delegacia eles estavam tranquilos, como se nada tivesse acontecido", diz Souza.

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