10 de mai de 2018

34 policiais militares já foram atacados no Pará

Não precisa estar vestindo a farda. Basta ser policial e atuar para garantir a segurança dos cidadãos para se tornar um alvo de bandidos que planejam executá-los, roubar a arma e usá-la como troféu pelo feito. O que parece ser ultrajante e atingiu níveis absurdos de insegurança é uma realidade no Estado do Pará, onde pelo menos 34 policiais militares já foram vítimas de ataques com arma de fogo somente este ano, segundo dados da Associação de Cabos e Soldados PM e BM. Vinte e três destes policiais acabaram não resistindo aos ferimentos e outros 11, pelo menos, ainda se recuperam das sequelas deixadas pelos projéteis. Esses dados resultam na média de um policial ferido por arma de fogo a cada 4 dias no Pará.
Para se ter ideia, dois 11 casos de policiais feridos por arma de fogo, 6 deles foram registrados somente no mês passado. O caso mais recente foi registrado ontem (9), no bairro da Marambaia, em Belém, onde o cabo PM Giorgio Silva Salame, de 39 anos, foi atacado a tiros. Ele estava de folga e seguia em seu carro pela rua Iracema quando 2 homens teriam alvejado o militar, que foi socorrido para o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência e, segundo a PM, o quadro de saúde é considerado grave.
O cabo Giorgio atua há 20 anos na corporação e é lotado no 20º Batalhão de Policiamento Militar e não estava de serviço quando foi vítima do atentado. Segundo a Polícia Militar, as primeiras informações obtidas no local do crime indicam que os suspeitos do atentado contra o cabo estavam em outro carro.
As circunstâncias e a motivação do crime estão sendo investigadas pela Divisão de Homicídios e pela Seccional da Marambaia. A PM informou também que ontem mesmo o suspeito que dirigia o carro onde estava o atirador prestou depoimento na DH, mas não foi confirmado se este suspeito ficou detido ou se foi liberado após prestar os devidos esclarecimentos.

Também na tarde de ontem, de acordo com o comando do 20º BPM, um homem ferido por arma de fogo deu entrada no Pronto-Socorro Humberto Maradei – o PSM do Guamá. Segundo a polícia, existe a possibilidade de este paciente estar envolvido no atentado contra o cabo Giorgio. O nome do paciente não foi divulgado nem o estado de saúde dele.
A maioria das vítimas não estava de serviço
A maioria dos policiais feridos e assassinatos este ano não estava de serviço quando foi atacada. Aliás, este tem sido um dos pontos mais discutidos e cobrados no que se refere à violência contra policiais militares. 
A própria PM já divulgou diversas notas informando que os militares estavam passando por cursos e treinamentos que visavam justamente aos horários de folga.
Porém, observa-se que a solução vai muito além de oferecer treinamento e reciclagem do quadro da corporação. O cenário em que o Pará vive mostra que nem PM nem cidadão comum tem segurança durante o lazer.
Para se ter uma ideia, esta semana um comunicado da Associação de Cabos e Soldados PM e BM do Pará ressaltou que Comando de Policiamento da Região Metropolitana de Belém vai garantir o policiamento constante no entorno do clube dos cabos e soldados durante os fins de semana, para que os policiais possam ter mais segurança durante o lazer. 
Uma viatura deverá ficar fixa em frente à sede campestre do clube. A medida, segundo o comunicado, se dá por causa “de toda a criminalidade que estamos vivenciando diariamente em nossa capital e Região Metropolitana”.
Cenário é de “guerra e ameaças”
A vice-presidente da Associação dos Cabos e Soldados PM e BM do Pará, cabo PM Karla Cristina, o atentado contra o cabo Giorgio é mais um exemplo que confirma o cenário de guerra que os policiais estão vivendo hoje no Estado. “A gente bate nessa tecla todos os dias. Policiais, pais e mães de família, pessoas estão morrendo e a gente tenta lutar para melhorar esse quadro”, disse. “Estamos tentando negociar com o governo”, pontuou.

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