Márcio Weba, filho do deputado
estadual Hemetério Weba, é acusado de perseguir o carro do filho de um
adversário político e ameaçar matar o rapaz, seu pai e o prefeito de
Nova Olinda do Maranhão, Delmar Sobrinho
POR OSWALDO VIVIANI (JP)
O prefeito do município maranhense de
Araguanã (a 341 quilômetros de São Luís), Márcio Regino Mendonça Weba
(DEM), de 35 anos, foi denunciado na polícia e na Justiça por tentativa
de agressão e ameaça de morte a adversários políticos. As denúncias
contra Márcio – que é filho do ex-prefeito de Nova Olinda do Maranhão e
atual deputado estadual Hemetério Weba Filho (PV) – foram formalizadas
na Delegacia de Polícia de Nova Olinda, no Tribunal de Justiça (TJ-MA) e
ao juiz Rodrigo Costa Nina, da comarca de Santa Luzia do Paruá, da qual
Nova Olinda é termo.
Os denunciantes são o prefeito de Nova
Olinda do Maranhão, Delmar Barros da Silveira Sobrinho (DEM), de 38
anos; o presidente da Câmara de Vereadores de Nova Olinda, Milton
Moreira da Silva, o ‘Miltinho’ (DEM), 51; e Leujhonne da Conceição da
Silva, 24 (filho de Milton Moreira).
De acordo com eles, o prefeito Márcio
Weba começou a procurar confusão com o filho do vereador Miltinho num
clube de Nova Olinda, o Sport TV, no início da madrugada do domingo
passado (22). Leujhonne declarou à polícia que, em determinado momento,
sem nenhum motivo, o prefeito de Araguanã atirou nele uma lata de
cerveja e o atingiu com uma cusparada.
Leujhonne então, segundo seu depoimento,
resolveu ir embora. Era mais ou menos 1h30, quando o rapaz saiu com seu
carro, um Ford Ka preto, em companhia de um amigo, de nome Arnaldo, mas
o prefeito Márcio Weba também deixou o clube, com seu tesoureiro,
Marcelo Souza, e passou a perseguir Leujhonne numa caminhonete Frontier,
da secretaria de Saúde de Araguanã.
Descontrolado, Márcio Weba teria tentado
fechar, por diversas vezes, o carro conduzido por Leujhonne. Este,
temendo que o prefeito de Araguanã atentasse contra sua vida, já que
‘sempre anda armado’, segundo acusou Leujhonne, regressou ao clube Sport
TV, onde a presença de várias pessoas poderia impedir uma agressão ou
coisa pior por parte do prefeito.
No entanto, conforme Leujhonne contou à
polícia, Márcio Weba continuou alterado ao chegar ao clube, logo após a
chegada do jovem. ‘Ele partiu em minha direção, gritando: espera aí,
moleque vagabundo, que eu vou te matar de uma pisa e depois vou matar
aquele negro safado, preto vagabundo do teu pai, e também esse
prefeitinho de merda do Delmar, porque quem manda em Nova Olinda sou eu e
o meu pai [Hemetério Weba]‘, disse Leujhonne.
O jovem afirmou que, protegido por
amigos, não chegou a ser agredido fisicamente pelo prefeito Márcio Weba,
mas este começou a desferir socos e chutes no Ford Ka que Leujhonne
havia emprestado de um amigo, amassando todo o teto do veículo.
Reincidente – Segundo o vereador Milton
Moreira, esta não é a primeira vez em que o prefeito Márcio Weba se
envolve em confusão em Nova Olinda do Maranhão. Há alguns meses, ele
teria ameaçado, num bar da cidade, ‘dar um tiro na cara’ de um homem
identificado como Claudio, só pelo fato de este ser amigo do prefeito de
Nova Olinda, Delmar Sobrinho.
O mesmo Leujhonne já teria sofrido outra
tentativa de agressão por parte de Márcio Weba e seus seguranças há
dois meses, no bar Continental, também em Nova Olinda.
Briga política – Para o
prefeito de Nova Olinda do Maranhão, Delmar Sobrinho, a atitude
agressiva de Márcio advém do fato de o grupo político de Delmar e
Miltinho ter rompido, em meados do ano passado, com a família Weba, que
nas próximas eleições para a Prefeitura, em outubro, vai lançar como
candidata a mulher de Hemetério Weba, Iracy.
Delmar – ex-genro de Hemetério – vai
concorrer à reeleição, contra o grupo do deputado, que enfrenta na
Justiça um processo de cassação de seu mandato por uso de propaganda
oficial para autoenaltecimento.
Outro lado – O Jornal Pequeno falou, na
manhã de ontem (28), por telefone, com o prefeito de Araguanã, Márcio
Weba, que negou todas as acusações contra ele. Segundo Weba, não houve
nenhuma tentativa de agressão nem ameaça de morte.
‘Só teve uma discussão, e eu tenho
testemunhas. Eu disse para o rapaz [Leujhonne] procurar me respeitar,
porque eu respeito as pessoas e ele não respeita ninguém, vive fazendo
deboche. Eu não o persegui. Saí do clube no mesmo momento que ele para
abastecer o carro, no posto Magnólia. Do mesmo modo, não fiz nenhuma
declaração racista. É mentira que eu chamei o Miltinho do que eles [os
denunciantes] estão dizendo, eu não faria isso. Quanto ao carro
amassado, foram eles que amassaram. Eu só dei uma ‘mãozada’, com a mão
aberta, no teto, nem deu pra amassar’, disse Márcio Weba ao JP.
O tesoureiro Marcelo Souza, por sua vez,
afirmou ao JP que estava dormindo na Frontier e que não viu nada do que
aconteceu nem participou da confusão. ‘Eu estava apagado. Depois me
contaram o que ocorreu’. Marcelo afirmou, ainda, que os desentendimentos
entre Márcio e Leujhonne acontecem porque o jovem ‘tem o costume’ de,
por onde passa, ficar chamando Márcio de ‘prefeito vagabundo’.
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