Do blog do Jorge Aragão
Quem percorre os corredores do Hospital
Municipal Materno Infantil Nossa Senhora das Mercês, em Pinheiro, não
ouve mais o habitual choro dos recém-nascidos, mas sim o choro desolado
de mães e pais diante da morte de seus filhos.
Somente no primeiro semestre de 2011
foram contabilizadas 64 mortes na maternidade municipal de Pinheiro.
Sendo que 40 dessas crianças tinham entre um mês a seis anos de vida,
ainda foram constatados 24 óbitos fetais.
Os números são de um relatório de
investigação de óbitos realizado pela Superintendência de Vigilância
Sanitária do Maranhão que o Blog teve acesso.
| Zé Arlindo: descaso com saúde |
O curioso é que o relatório é de agosto
de 2011 e de lá para cá absolutamente nada foi feito para mudar essa
realidade e nenhuma providência mais forte foi tomada para evitar mais
mortes.
O relatório aponta que 61% das mortes
ocorridas são provenientes de falha no atendimento hospitalar e de
infecções maternas, provavelmente contraídas na própria maternidade.
Para se ter noção da gravidade do problema, nem mesmo o Alvará Sanitário
o hospital tinha.
Por fim o relatório recomenda, com
máxima urgência, o cumprimento das exigências num prazo de 60 dias para
sanear as inúmeras irregularidades, mas até o momento o descaso
permanece. O relatório também foi encaminhado para a Comissão de Saúde
da Assembleia Legislativa, mas infelizmente deve ter sido engavetado,
pois nenhuma providência foi tomada pelo parlamento estadual.
O Blog também teve a informação que os
hospitais da rede municipal de Pinheiro são administrados por uma
Cooperativa de Profissionais de Saúde. A prefeitura desembolsa R$ 804
mil mensais e são “gastos” mais de R$ 19 milhões por ano para a execução
de serviços de assistência médica e ambulatorial na rede de saúde
pública municipal.
O mais intrigante é que a sede da tal
cooperativa fica localizada em Eusébio, cidade do interior do Ceará,
menor que o município de Pinheiro.
É com esse descaso na Saúde Pública que vai vivendo, quer dizer, morrendo a Princesa da Baixada Maranhense.
0 Comentários