A Executiva Nacional do União Brasil aprovou por unanimidade nesta quinta-feira (18) exigência para seus filiados antecipem a saída do governo Lula, que originalmente estava prevista para o final do mês. Uma resolução da Comissão Executiva Nacional do partido que determina aos filiados que requeiram as suas exonerações imediatas dos ministérios do governo Lula ou de funções de confiança em autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista ligadas indiretamente à União. Membros do partido como o ministro do Turismo, Celso Sabino, agora terão 24 horas para pedir demissão, ou correrão o risco de serem expulsos. A antecipação do movimento de saída acontece depois da federação do partido com o PP. Com 59 deputados e 7 senadores, o União Brasil é a terceira maior bancada da Câmara e peça-chave na governabilidade de Lula. Uma normativa do partido publicada nesta quinta-feira prevê sanção aos quadros que não pedirem exoneração de seus cargos: haverá abertura de processos disciplinares.

A decisão foi motivada por reportagem publicada pelo ICL (Instituto Conhecimento Liberta) e pelo UOL com acusações feitas por um piloto de que o presidente do partido, Antonio Rueda, é dono de aviões operados pelo PCC (Primeiro Comando da Capital). Rueda nega a acusação.

A legenda vê influência do Palácio do Planalto na reportagem, uma vez que um de seus autores tem também um programa na TV Brasil.

“Tal ‘coincidência’ reforça a percepção de uso político da estrutura estatal visando desgastar a imagem da nossa principal liderança e, por consequência, enfraquecer a independência de um partido que adotou posição contrária adversária ao atual governo”, disse, em nota.

O ministro foi alertado na manhã desta quinta (17) pelo partido sobre a decisão que seria tomada e não disse o que pretende fazer.

Segundo o Painel apurou, caso ele permaneça no governo, haverá processo sumário de expulsão e intervenção no Pará, seu estado.

Procurado, ele não se manifestou.

O União Brasil aprovou recentemente uma federação com o PP, batizada de União Progressista. A nova entidade decidiu pela entrega dos cargos de filiados no governo Lula, e tende a apoiar uma eventual candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Atualmente, o ministro do Turismo, Celso Sabino, é filiado ao União Brasil. O partido também controla outras duas pastas por meio de Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações), mas essas últimas indicações são atribuídas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de forma pessoal.

O PP também tem um ministro no governo, André Fufuca, do Esporte.