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A Prefeitura de Buriti, comandada por André Augusto Kerber Introvini, conhecido como André Gaúcho,  mergulhou em um escândalo administrativo que expõe um modelo de gestão marcado pelo improviso, pelo sigilo e pelo flagrante desrespeito às normas públicas. Documentos obtidos pelo Blog do Minard, revelam que o município autorizou mais de R$ 14,7 milhões em contratos com o Instituto Ribeiro de Vasconcelos (IRDV), sendo R$ 8 milhões pagos em apenas 90 dias, enquanto postos de saúde seguiam funcionando sem contratos vigentes, sem processos administrativos e sem qualquer controle oficial.

O caso já foi encaminhado ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado, que apuram suspeitas de fraudes contratuais, uso de laranjas, pagamentos clandestinos via PIX e até em dinheiro vivo, triangulação financeira e ocultação deliberada de despesas públicas.

A Unidade Básica de Saúde do Bacuri, por exemplo, opera há quase um ano sem contrato formal. Mesmo com o vínculo legal vencido desde janeiro, a Prefeitura continua ocupando o imóvel sem aditivo, sem renovação e sem qualquer respaldo administrativo. Pior: os pagamentos eram feitos por fora, sem empenho, sem liquidação e sem registro nos sistemas oficiais.

Unidade Básica de Saúde do Bacuri

Comprovantes anexados à denúncia mostram PIX de R$ 2.500 enviado pessoalmente pelo secretário de Saúde, Raí Pablo Sousa de Aguiar, depósitos em dinheiro vivo e transferências de R$ 15 mil e R$ 5 mil realizadas por uma empresa contratada pelo próprio município, sugerindo uma triangulação de recursos públicos. Em áudio, o secretário chega a afirmar que não precisava de contrato formal porque “já tinha falado com o prefeito”, reforçando a percepção de que a gestão operava um circuito paralelo à lei. (Veja abaixo) 

O contrato da UBS do Bacuri foi firmado em nome de José Marques Viana Júnior, mas o verdadeiro proprietário do imóvel é seu tio, Francisco Marques Viana, servidor público e legalmente impedido de contratar com a Prefeitura. Francisco admite que o sobrinho serviu apenas como fachada, prática que configura simulação de contrato, fraude e violação direta das regras de contratação pública. A UBS Centro segue o mesmo padrão irregular, funcionando sem contrato e recebendo pagamentos diretos em dinheiro da proprietária, Solange Machado. O modus operandi não é uma exceção, mas um padrão dentro da gestão.

Ouça um dos diálogos entre o secretário de Saúde, Raí Pablo Sousa de Aguiar e Francisco Marques, que evidencia que o sobrinho é apenas um laranja: