Gianni Infantino, presidente da Fifa

A FIFA acendeu um alerta vermelho para o futebol brasileiro. Em documento encaminhado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a entidade máxima do esporte advertiu que intervenções judiciais em federações estaduais podem levar à aplicação de sanções severas, inclusive a suspensão do Brasil de competições internacionais.

A Federação Maranhense de Futebol (FMF) é citada diretamente no comunicado, que ressalta que decisões do Poder Judiciário que afetem a autonomia das entidades esportivas violam normas internacionais da FIFA. O aviso foi assinado por Elkhan Mammadov, diretor executivo da entidade, e enviado na segunda-feira (22).

Segundo a FIFA, mesmo quando a interferência não parte da própria CBF, o simples descumprimento dos estatutos internacionais já é suficiente para punições. A regra é clara: federações devem gerir seus assuntos de forma independente, sem ingerência externa — inclusive judicial.

Diante do risco de sanções, a CBF acionou a Justiça do Maranhão e pediu a realização imediata de uma audiência de conciliação, conforme decisão cautelar do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é construir um cronograma para encerrar a intervenção na FMF dentro dos parâmetros exigidos pela FIFA.

O pedido foi protocolado pelo deputado estadual Yglésio Moyses, ex-presidente do Moto Club, em conjunto com a CBF, ao juiz Douglas de Melo Martins, responsável pelo caso na Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís.

A confederação também manifesta preocupação com a temporada de 2026. Para a CBF, a atual administração provisória da FMF, comandada por Susan Lucena, não possui vínculo com o sistema do futebol nem experiência na área esportiva, o que pode comprometer decisões estratégicas fundamentais, como patrocínios, direitos de transmissão, organização do campeonato estadual e interlocução técnica com a própria CBF.

O risco mais grave, segundo a entidade, é o não reconhecimento oficial do Campeonato Maranhense de 2026, caso regulamentos e prazos não sejam cumpridos. Isso poderia impedir clubes do estado de disputar competições nacionais como Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Série D.

No alerta, a FIFA ainda menciona situações semelhantes envolvendo outras federações, como a do Piauí, indicando um quadro de instabilidade institucional no futebol brasileiro. Em caso de suspensão, clubes e seleções ficariam proibidos de participar de torneios internacionais em todas as categorias.

A intervenção na FMF teve origem em uma ação do Ministério Público do Maranhão, que apontou indícios de irregularidades administrativas, falta de transparência e vícios em assembleias. Em agosto, a Justiça determinou o afastamento de 17 dirigentes, incluindo o então presidente Antônio Américo, e nomeou Susan Lucena como administradora provisória.

Ao analisar o caso no STF, Flávio Dino reconheceu a gravidade das denúncias, mas ressaltou que a intervenção deve ser excepcional e limitada, preservando a autonomia do sistema desportivo. Por isso, manteve os afastamentos, restringiu os poderes da administradora à gestão ordinária e determinou a realização de uma audiência de conciliação até março de 2026.