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Duas empresas de transporte coletivo que operam em São Luís estão no centro de uma nova controvérsia envolvendo recuperação judicial, suspeitas de uso de “laranjas” e movimentações financeiras milionárias. A Expresso Rei de França e a Expresso Grapiúna, que somam dívidas de aproximadamente R$ 177 milhões, foram transferidas formalmente para o nome de um jovem de 26 anos, beneficiário do Bolsa Família.

Desde 29 de janeiro deste ano, Willame Alves dos Santos passou a constar como sócio-administrador da DAJP Participações Ltda, holding que controla as duas viações. Documentos da Junta Comercial do Maranhão indicam que ele adquiriu 100% das cotas da empresa, cujo capital social declarado é de R$ 3 milhões.

Até então, a holding estava registrada em nome de Deborah Piorski Ferreira, filha do empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, conhecido como “PP”. Ele é apontado por credores como o verdadeiro controlador das empresas, embora não apareça formalmente no quadro societário.

Suspeita de uso de “laranja”

A mudança levanta suspeitas de que Willame esteja sendo utilizado como “laranja” para ocultar patrimônio e driblar bloqueios judiciais. O empresário Pedro Paulo, que atualmente ocupa o cargo de vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), já é investigado por supostamente usar familiares para manter o controle indireto de negócios.

Segundo apurações, recursos recebidos pelas empresas de ônibus teriam sido desviados para outras companhias ligadas ao grupo. Extratos bancários indicam transferências de cerca de R$ 1,6 milhão para uma mineradora em um período de três meses, dentro de um total de R$ 6,7 milhões movimentados.

Perfil do novo “proprietário”

O novo sócio das empresas apresenta um histórico incompatível com o patrimônio assumido. Willame é beneficiário do programa Bolsa Família desde 2020 e recebe atualmente cerca de R$ 600 mensais.

Além disso, ele responde a processos judiciais e já foi preso em 2024, em Fortaleza, sob suspeita de estelionato e posse de drogas para consumo pessoal. De acordo com o processo, ele teria aplicado golpes em uma pizzaria usando comprovantes falsos de pagamento via Pix.

Em outra ação, é acusado de inadimplência após adquirir uma motocicleta financiada e deixar de pagar as parcelas, gerando uma dívida de aproximadamente R$ 8,8 mil.

Rede familiar e empresas

A investigação também aponta que outros membros da família de Pedro Paulo aparecem como sócios de diversas empresas em diferentes setores, como mineração, transporte e comércio. Apesar disso, muitos deles mantêm atividades públicas sem relação aparente com os negócios registrados em seus nomes.

Paralisação e crise no transporte

No dia 27 de março, as empresas anunciaram a paralisação temporária das operações em São Luís, alegando falta de repasses financeiros por parte da prefeitura. As viações integram o Consórcio Via SL, responsável por parte do transporte público da capital maranhense.

Até o momento, os representantes legais das empresas e o administrador judicial nomeado não se pronunciaram sobre a mudança societária nem sobre as suspeitas levantadas.

O caso segue sob análise e pode ter desdobramentos judiciais, especialmente diante das evidências de possível ocultação de patrimônio e irregularidades na gestão financeira das empresas.

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