
Uma tragédia registrada na travessia entre Cujupe e Ponta da Espera voltou a escancarar o colapso no sistema de ferryboat no Maranhão nesta terça-feira (5). Um paciente, que estava sendo transferido do município de Nunes Freire para São Luís, morreu dentro do ferryboat São Gabriel, embarcação operada pela empresa paraense Henvil.
De acordo com relatos, a viagem sofreu atraso de aproximadamente 40 minutos. Além disso, houve resistência por parte da embarcação em permitir o embarque da ambulância que transportava o paciente, que já se encontrava em estado grave.
A situação se agrava quando se observa o percurso enfrentado. O paciente já havia percorrido cerca de 200 quilômetros pela MA-106, sendo aproximadamente 120 quilômetros em condições precárias de Nunes Freire a Pinheiro. Ao chegar ao terminal do Cujupe, enfrentou ainda mais demora para embarcar. Mesmo após conseguir acesso ao ferry, a viagem não ocorreu de imediato.
Atualmente, das duas rampas existentes no terminal do Cujupe, apenas uma está em funcionamento, o que contribui diretamente para atrasos das viagens. A justificativa seria a falta de pessoal para operar o sistema de embarque e desembarque, mesmo a Emap tendo contratado uma empresa terceirizada para ajudar.
Os problemas nos terminais do Cujupe e da Ponta da Espera não são novos. Desde 2022, usuários denunciam a piora no serviço, mesmo após a inclusão de embarcações como o ferry São Gabriel. Entre as principais queixas estão atrasos constantes, embarcações com problemas, filas extensas e falta de estrutura adequada para atender a população, mesmo o valor da passagem sendo alto.
A atuação dos órgãos de fiscalização também é alvo de críticas. Entidades como Procon-MA, Marinha do Brasil, Capitania dos Portos, Ministério Público e Tribunal de Contas são cobradas por uma atuação mais firme diante das recorrentes denúncias de falhas no sistema.
Para moradores da Baixada Maranhense, a situação se tornou rotina — e, em muitos casos, com consequências graves. Este não seria o primeiro registro de morte durante a travessia, o que aumenta ainda mais a indignação popular.
A morte do paciente gerou forte repercussão em Nunes Freire. O vereador Joãozinho criticou duramente a situação e cobrou providências do Governo do Estado.
“É preciso parar de fazer apenas política e começar a fazer gestão. Perdemos uma vida. Segundo vídeos que circulam nas redes sociais, houve dificuldade para a ambulância embarcar, só sendo liberada após muita pressão. E mesmo assim com resistência. Infelizmente, a paciente não resistiu. Já não bastassem as estradas intrafegáveis e a falta de assistência nos hospitais, agora enfrentamos mais esse descaso”, declarou.
O caso reforça a necessidade urgente de revisão no sistema de travessia por ferryboat no Maranhão, especialmente quando vidas dependem diretamente da agilidade e eficiência desse serviço. O governador Carlos Brandão ao invés de ter gasto R$40 milhões com a compra de caminhonetes para vereadores, deveria ter gasto essa verba com a compra de helicópteros para transportar pacientes htaves de Cujupe a São Luís.
Aos familiares e amigos da vítima, ficam os sentimentos de pesar diante de uma perda que levanta questionamentos e cobra respostas.
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