Sacudiu o meio político e os bastidores partidários, ontem, a declaração do deputado estadual Fernando Braide (PSD) dando conta de que o item Senado está em aberto na chapa do pré-candidato a governador Eduardo Braide (PSD), com espaço para o deputado federal Duarte Jr. (Avante), para o ex-senador Roberto Rocha (Novo), para o deputado federal André Fufuca (PP) e até para o pré-candidato a governador pelo Novo Lahesio Bonfim, que na avaliação de alguns pode trocar a briga pelo Palácio dos Leões por uma refrega ácida com o objetivo de ganhar uma cadeira na Câmara Alta. Irmão do ex-prefeito Eduardo Braide, Eduardo Braide – que será candidato a deputado federal – abriu o jogo numa entrevista ao competente jornalista John Cutrim (titular do blog que leva seu nome), falando com a firmeza de quem é articulador e porta-voz informal do pré-candidato do PSD.


O resultado da declaração do parlamentar sobre a corrida senatorial na seara da pré-candidatura de Eduardo Braide foram horas de agitação no meio político. Primeiro porque os pré-candidatos Duarte Jr. e André Fufuca estão até aqui posicionados, ainda que em situação incômoda, na seara da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB), onde o principal articulador é o governador Carlos Brandão (MDB), de quem ambos são aliados. Ambos enfrentam uma concorrência dura no grupo, mas não há ainda qualquer sinal ou evento que motive os dois a se afastarem da aliança governista, uma vez que ambos têm vínculos que dificilmente serão desfeitos agora.


O problema é que, até aqui, existe na órbita da pré-candidatura de Orleans Brandão uma preferência declarada pelo senador Weverton Rocha (PDT) para uma das vagas, e um batalhão brigando para disputar a outra vaga, a começar pela deputada federal Roseana Sarney, que não é unanimidade dentro do MDB, mas dá sinais de que quer mesmo ser candidata e já contaria com o aval da direção nacional do partido e, claro, a bênção do ex-presidente José Sarney (MDB), hoje o seu principal cabo eleitoral.  Há ainda a sombra forte do deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União), que tem sido estimulado pelo governador Carlos Brandão, como também a presença a presidente da Alema, deputada Iracema Vale (MDB), que também está cotada para ser candidata a vice-governadora na chapa de Orleans Brandão.


Mas a política, quando se trata da luta pelo poder, que é o que está acontecendo agora, é dinâmica e incontrolavelmente imprevisível. Quem suporia que Duarte Jr., adversário figadal de Eduardo Braide na política de São Luís, seria citado pelo irmão do ex-prefeito como possível candidato a senador na sua chapa. Não foi à toa que muitos mergulharam na perplexidade diante da declaração do deputado Fernando Braide, que teve o peso de divisor de águas.


Dentro da mesma Babel política e partidária, ninguém imaginava, por exemplo, que Lahesio Bonfim, que se lançou ao Palácio dos Leões como pré-candidato do Novo, aparecendo nas primeiras pesquisas com até 25% de intenções de voto, estivesse hoje vivendo o dilema de continuar candidato a governador ou mudar esse rumo e pensar em tentar uma cadeira no Senado. Uma situação parecida com a do seu colega de partido, ex-senador Roberto Rocha (Novo), que entrou forte na corrida senatorial, mas os números das últimas pesquisas, com a entrada de Duarte Jr. em cena, minaram fortemente o seu cacife, podendo obriga-lo a procurar abrigo numa candidatura governamental forte para manter a sua condição de pré-candidato viável a senador.


Posicionado no olho do furacão, o deputado Fernando Braide saia o que estava falando quando deu a declaração bombástica. E fez uma previsão que, de estiver rigorosamente certa, vai animar a seara da disputa senatorial por pelo menos até as convenções partidárias, quando o quadro de candidatos a senador será finalmente desenhado com cores definitivas.