O prefeito de São Mateus e influente articulador político do grupo do governador Carlos Brandão (MDB) Miltinho Aragão avaliou, e entrevista ao Tribuna 98, os desdobramentos da saída do deputado federal André Fufuca (PP) para a ala oposicionista liderada por Eduardo Braide (PSD).

Na visão dele, o momento surge como uma grande oportunidade para selar de vez a união com o Partido dos Trabalhadores (PT).

De acordo com Aragão, a dinâmica da política abre novos cenários a todo instante, e a vacância deixada por Fufuca cria espaço para fortalecer os laços com a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo ligado ao governador Carlos Brandão estuda oferecer ao PT duas vagas cruciais na chapa encabeçada pelo pré-candidato ao governo, Orleans Brandão: a disputa ao Senado Federal e a indicação para a Vice-Governadoria.

Miltinho Aragão ressaltou que, por se tratar de uma reviravolta recente, as conversas formais ainda devem avançar nos próximos dias.

“Como a decisão saiu agora à tarde, e o governador me parece que teve hoje uma viagem a Brasília, não sei de novas informações. Mas creio que isso vai ser natural. As perspectivas de diálogos, de conversas, elas poderão se abrir a partir de agora”, explicou o articulador político.

O prefeito lembrou que o calendário eleitoral reserva uma janela confortável para amadurecer as tratativas, com as convenções partidárias previstas para o período entre 20 de julho e 5 de agosto. Para ele, uma composição direta com o PT traria excelentes benefícios à chapa estadual e daria uma sintonia fina com o plano político federal: “Isso aqui seria um fato novo na política do Maranhão que causaria muitas boas notícias, notícias alvissareiras, e que daria ao presidente Lula um palanque único no Maranhão.”

Questionado sobre as preferências por nomes — uma vez que a legenda dispõe de quadros de peso no estado, como Felipe Camarão, Márcio Jerry, Eliziane Gama e Cricielle —, Miltinho preferiu adotar uma postura de respeito à autonomia da sigla aliada.

O gestor pontuou que o preenchimento das vagas de senador e de vice-governador (que pode ser ocupada tanto por homem quanto por mulher) passará exclusivamente por uma deliberação interna dos petistas. “A decisão tem que vir de lá. Mas tem grandes nomes nos quais o Partido dos Trabalhadores… você citou vários. E eu creio que, se tiver o acordo, virão dois nomes importantes para a composição de chapa com o nosso futuro governador Orleans Brandão”, concluiu Aragão.

Entre muitos petistas, no entanto, a possibilidade sequer existe. Para outros, uma composição só ocorreria se o candidato a governador fosse o próprio Felipe Camarão (PT), com o MDB indicando um vice.

Vale aguardar…