Foto Reprodução

A soberania do voto popular em Nova Olinda do Maranhão continua sob o compasso de espera dos gabinetes de São Luís. O recente despacho que retirou de pauta o julgamento dos Embargos de Declaração do prefeito cassado Ary Menezes e de seu vice, Ronildo Costa, reacendeu um questionamento: por que a Justiça Eleitoral caminha de forma tão lenta em um caso onde a ilegalidade salta aos olhos dos autos?

A justificativa do relator, juiz Marcelo Elias Matos e Oka, utilizada foi “necessidade de reexame dos autos e de melhor apreciação”.

O caso não se baseia em alegações genéricas. A decisão de primeira instância apontou a ocorrência de abuso de poder econômico e captação ilícita de votos, com registros de distribuição de dinheiro em espécie, transferências via PIX, entrega de telhas, materiais de construção e promessas de vantagens durante o período eleitoral. A disputa municipal foi decidida por uma diferença de apenas dois votos.

A gravidade das denúncias também levou a Polícia Federal a deflagrar a Operação Cangaço Eleitoral, que investigou possíveis crimes relacionados ao processo eleitoral e resultou em medidas judiciais na esfera criminal.

Mesmo diante desse cenário, o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) retirou o processo da pauta prevista para o dia 22 de junho sob a justificativa de necessidade de reavaliação, sem estabelecer uma nova data para o julgamento. A decisão mantém a situação política do município sem uma definição definitiva.

Em abril, o próprio TRE-MA confirmou por unanimidade a cassação dos mandatos, reforçando a existência de elementos considerados suficientes para a condenação. Agora, a demora na análise dos recursos prolonga a permanência dos gestores afastados pela decisão judicial na condução da administração municipal.

A indefinição também provoca impactos administrativos e políticos em Nova Olinda. Enquanto o processo permanece sem conclusão, o município continua sob comando de representantes cuja legitimidade eleitoral está sendo contestada judicialmente.

O caso passou a ser acompanhado não apenas pela população local, mas também por setores que defendem maior rapidez na análise de processos eleitorais. A sociedade tem o direito de questionar por que um processo com decisão de mérito já proferida e provas analisadas ainda aguarda uma conclusão definitiva.