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A economia da Argentina, referência para o modelo econômico defendido por Flávio Bolsonaro (PL), registrou retração de 1,74% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O resultado acende um alerta sobre os rumos da política econômica do presidente Javier Milei, admirada por setores da direita brasileira.

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) mostram que este foi o segundo mês consecutivo de queda na atividade econômica argentina na comparação anual. Em julho, a retração havia sido de 2,8%.

Embora a economia tenha apresentado leve alta de 0,1% em agosto, frente a julho, o crescimento acumulado nos 12 meses encerrados em agosto ficou em 1,2%, abaixo dos 1,7% registrados no período terminado em julho.

O desempenho preocupa economistas, que apontam sinais de uma possível recessão. Entre os setores que mais recuaram estão pesca (-15,7%), comércio (-3,5%), indústria manufatureira (-3,2%), transportes e comunicações (-2,9%) e construção (-2,5%).

As quedas atingem áreas importantes para o emprego e o consumo interno. Na avaliação de especialistas, a expansão da mineração e da exploração de petróleo e gás tem ajudado a sustentar os indicadores, mas esses segmentos dependem fortemente do mercado externo e não refletem, necessariamente, uma recuperação da economia doméstica.

A economista Clara Brenck, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avalia que o aumento do desemprego reforça a preocupação com o cenário argentino. Já a pesquisadora Ana Paula, ligada ao Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP, questiona os resultados das medidas de austeridade adotadas por Milei, que prometiam estimular os investimentos privados e a atividade econômica.

O governo argentino, por sua vez, destaca os números positivos. O ministro da Economia, Luis Caputo, ressaltou a alta mensal de 0,1% e o desempenho das exportações agroindustriais, que somaram US$ 43,206 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, segundo os dados divulgados por ele.

A questão que chega ao debate brasileiro é o que esse modelo representa na prática. Flávio Bolsonaro já manifestou entusiasmo com a experiência econômica de Milei, que tem como pilares o ajuste fiscal, a redução do tamanho do Estado e a desregulamentação. Os números mais recentes da Argentina, porém, mostram que a redução da inflação e os resultados positivos de alguns setores convivem com retração industrial e comercial e preocupações com o emprego.