14 de jul. de 2021

Vargem Grande: Trabalhadores em condições análogas à escravidão são resgatados

 

Na noite da última terça-feira (13), a Polícia Civil de Vargem Grande e a Guarda Municipal realizaram uma operação na zona rural da cidade, que resultou no resgate de 14 trabalhadores mantidos em condições análogas a de escravos.

Segundo o delegado Bruno Sobreira, os trabalhadores também foram vítimas do crime de tráfico de pessoas, pois foram iludidos em sua terra de origem interior do Ceará e atraídos até Vargem Grande com a falsa promessa de alimentação e salários condignos; e estadia e condições de trabalho salubres. Ao chegarem aqui, as vítimas foram submetidas pelos prepostos de seus empregadores a uma jornada extenuante de trabalho (12 horas diárias); alojamentos imundos, sem água encanada ou banheiros; alimentação indigna (arroz, ovos e mortadela).

Ainda segundo informações da polícia, muitos desses trabalhadores contraíram antecipadamente dívidas com seus empregadores a título de adiantamento, e por isso obrigando-se a trabalhar em outro estado nas condições degradantes em que foram encontrados. As vítimas só receberiam os respectivos salários quando retornassem ao Ceará, após três meses de trabalho. Até lá, não tinham acesso a qualquer outro recurso, e por isso não poderiam de outra forma regressar às suas cidades de origem.

O cativeiro situava-se no Povoado Mucambo e foi descoberto após três vítimas procurarem alimentos e ajuda nas casas daquele povoado, que denunciaram o fato à Polícia. Dentre as vítimas, havia uma mulher, dois menores e um senhor de 59 anos, que era obrigado a caminhar pelo matagal por até duas horas em busca da palha de carnaúba.

No local, foi preso um dos prepostos dos empregadores das vítimas, identificado como Pedro Gomes da Silva, de 41 anos, pela participação nos crimes acima narrados. As investigações prosseguem no sentido de identificar e responsabilizar os demais traficantes e agenciadores que reduziram as vítimas à condição análoga a de escravos.

As vítimas foram encaminhadas à Secretaria de Assistência Social do município, onde deverão receber o devido amparo.

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